Confira abaixo os detalhes sobre as principais reivindicações e o andamento das conversas
As negociações específicas entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal e a direção do banco atingem um momento crucial da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Ao longo das seis rodadas de debate, ocorridas entre 8 de julho e 14 de agosto, foram registrados progressos em temas como a Promoção por Mérito e a interrupção da migração de caixas e tesoureiros. Contudo, pontos cruciais para a categoria seguem pendentes, especialmente o Saúde Caixa, a criação de novos planos de cargos e funções, uma remuneração variável equitativa, melhores condições laborais e o combate ao adoecimento e às metas abusivas.
As demandas apresentadas não foram criadas de forma isolada, mas sim por meio de um processo democrático que incluiu a Consulta Nacional dos Bancários, encontros regionais, a 28ª Conferência Nacional dos Bancários e o 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa (Conecef). O congresso, realizado em junho, em São Paulo, contou com a participação de 281 delegados que analisaram centenas de propostas. A minuta específica foi entregue à Caixa em 24 de junho e serve como base para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de setembro de 2026 a agosto de 2028.
Essa pauta específica complementa as reivindicações nacionais, que tratam de temas como emprego, garantias tecnológicas, jornada, teletrabalho e saúde do trabalhador.
Luiza Hansen, coordenadora da CEE/Caixa, reforça a necessidade de respostas práticas. A cobrança feita ainda na segunda rodada permanece válida: “Não basta ouvir as reivindicações. Os empregados esperam respostas e avanços.”
O Saúde Caixa tem sido o tema central desde a primeira rodada. Dados do próprio banco revelam que, em 2025, as despesas do plano atingiram R$ 4,387 bilhões, enquanto a contribuição da Caixa ficou limitada pelo teto estatutário de 6,5% da folha. A representação dos trabalhadores defende o retorno da proporção histórica de 70% custeada pelo banco e 30% pelos usuários.
O Estatuto Social da Caixa impõe uma trava que impede o cumprimento da proporção 70/30. Em 2025, os beneficiários arcaram com cerca de 46% do financiamento, enquanto o banco cobriu 54%. Na quinta rodada, a proposta da Caixa elevaria drasticamente as mensalidades e o comprometimento da renda familiar, sendo rejeitada por unanimidade pela representação sindical.
Lívio Santos e Assis, diretor executivo da Contraf-CUT, criticou o modelo: “A Caixa protege o seu teto e manda a conta para o empregado.”
Na sexta rodada, o banco apresentou uma nova versão, também recusada pela CEE por manter a sobrecarga financeira sobre os usuários e o risco de desequilíbrio do plano. Dados indicam uma perda líquida de 15.390 beneficiários entre 2023 e fevereiro de 2026, o que reforça o temor de que o aumento das mensalidades afaste ainda mais os usuários.
A discussão sobre carreira evoluiu com a retirada do Alcance.Caixa dos critérios da Promoção por Mérito e a garantia do pagamento dos deltas em janeiro. Apesar disso, a CEE segue pressionando por um novo PFG e um novo PCS, com critérios transparentes e correção de distorções. A valorização das atividades exercidas e PSIs com regras claras continuam sendo prioridades na mesa.
Quanto à remuneração variável, a CEE exige que programas como o Super Caixa sejam negociados previamente, garantindo transparência e o fim de mudanças unilaterais durante o ciclo de apuração. A categoria também reivindica que indicadores externos, como o CSAT, não funcionem como redutores de premiação. Sobre a PLR Social, a demanda é de 6% do lucro líquido, distribuída de forma linear.
A pauta de condições de trabalho inclui a resolução do limbo previdenciário e o fortalecimento das Gipes. No teletrabalho, a busca é por regras estáveis via ACT, com garantia de ajuda de custo e respeito ao direito à desconexão. A CEE também denuncia a sobrecarga causada pelo modelo “figital” e exige a recomposição do quadro de pessoal, essencial para a função social da Caixa.
Um ponto positivo da sexta rodada foi a suspensão da migração de caixas e tesoureiros. O banco admitiu falhas na condução do processo e se comprometeu a negociar qualquer mudança futura, garantindo que o tema seja tratado dentro de um planejamento mais amplo de carreira.
O balanço atual mostra que a negociação gera resultados quando o banco dialoga com as propostas dos trabalhadores. No entanto, questões estruturais como Saúde Caixa, carreira e condições de trabalho seguem como desafios. A CEE reitera que a mobilização é o caminho para garantir um ACT que proteja direitos, valorize o corpo funcional e fortaleça a Caixa como empresa pública.
Fonte: Contraf-CUT