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Após seis rodadas, empregados cobram da Caixa avanços nas principais reivindicações

Publicado em Caixa Econômica Federal
Após seis rodadas, empregados cobram da Caixa avanços nas principais reivindicações

Principais tópicos abordados nesta matéria

  • Desde o início das mesas específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026, a CEE/Caixa e o banco já realizaram seis rodadas de negociação;
  • A CEE rejeitou as duas propostas colocadas pelo banco para o Saúde Caixa, exigindo que a instituição aumente sua parcela de contribuição para o custeio do plano;
  • Houve avanços na Promoção por Mérito: o banco excluiu o Alcance.Caixa dos critérios e aceitou pagar os deltas dos anos-base 2026 e 2027 já em janeiro dos anos subsequentes;
  • Após pressão dos representantes dos trabalhadores, o banco interrompeu o processo de migração de caixas e tesoureiros, comprometendo-se a dialogar previamente sobre qualquer alteração;
  • Em relação à carreira e valorização, a categoria demanda novos PFG e PCS, transparência nos processos seletivos internos e a correção de distorções na estrutura de funções;
  • Sobre a remuneração variável, a CEE pleiteia a negociação das regras do Super Caixa, maior transparência, a aplicação do conceito “vendeu, recebeu” e melhorias na PLR Social;
  • A pauta também engloba condições de trabalho e emprego, com foco em teletrabalho, combate a metas abusivas, enfrentamento ao assédio e adoecimento, além de novas contratações;
  • A mobilização é essencial para garantir avanços, proteger direitos, valorizar os trabalhadores e assegurar que a Caixa permaneça como um banco 100% público.

Confira abaixo os detalhes sobre as principais reivindicações e o andamento das conversas

As negociações específicas entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal e a direção do banco atingem um momento crucial da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Ao longo das seis rodadas de debate, ocorridas entre 8 de julho e 14 de agosto, foram registrados progressos em temas como a Promoção por Mérito e a interrupção da migração de caixas e tesoureiros. Contudo, pontos cruciais para a categoria seguem pendentes, especialmente o Saúde Caixa, a criação de novos planos de cargos e funções, uma remuneração variável equitativa, melhores condições laborais e o combate ao adoecimento e às metas abusivas.

As demandas apresentadas não foram criadas de forma isolada, mas sim por meio de um processo democrático que incluiu a Consulta Nacional dos Bancários, encontros regionais, a 28ª Conferência Nacional dos Bancários e o 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa (Conecef). O congresso, realizado em junho, em São Paulo, contou com a participação de 281 delegados que analisaram centenas de propostas. A minuta específica foi entregue à Caixa em 24 de junho e serve como base para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de setembro de 2026 a agosto de 2028.

Essa pauta específica complementa as reivindicações nacionais, que tratam de temas como emprego, garantias tecnológicas, jornada, teletrabalho e saúde do trabalhador.

Luiza Hansen, coordenadora da CEE/Caixa, reforça a necessidade de respostas práticas. A cobrança feita ainda na segunda rodada permanece válida: “Não basta ouvir as reivindicações. Os empregados esperam respostas e avanços.”

O impasse no Saúde Caixa

O Saúde Caixa tem sido o tema central desde a primeira rodada. Dados do próprio banco revelam que, em 2025, as despesas do plano atingiram R$ 4,387 bilhões, enquanto a contribuição da Caixa ficou limitada pelo teto estatutário de 6,5% da folha. A representação dos trabalhadores defende o retorno da proporção histórica de 70% custeada pelo banco e 30% pelos usuários.

O Estatuto Social da Caixa impõe uma trava que impede o cumprimento da proporção 70/30. Em 2025, os beneficiários arcaram com cerca de 46% do financiamento, enquanto o banco cobriu 54%. Na quinta rodada, a proposta da Caixa elevaria drasticamente as mensalidades e o comprometimento da renda familiar, sendo rejeitada por unanimidade pela representação sindical.

Lívio Santos e Assis, diretor executivo da Contraf-CUT, criticou o modelo: “A Caixa protege o seu teto e manda a conta para o empregado.”

Na sexta rodada, o banco apresentou uma nova versão, também recusada pela CEE por manter a sobrecarga financeira sobre os usuários e o risco de desequilíbrio do plano. Dados indicam uma perda líquida de 15.390 beneficiários entre 2023 e fevereiro de 2026, o que reforça o temor de que o aumento das mensalidades afaste ainda mais os usuários.

Carreira e Valorização

A discussão sobre carreira evoluiu com a retirada do Alcance.Caixa dos critérios da Promoção por Mérito e a garantia do pagamento dos deltas em janeiro. Apesar disso, a CEE segue pressionando por um novo PFG e um novo PCS, com critérios transparentes e correção de distorções. A valorização das atividades exercidas e PSIs com regras claras continuam sendo prioridades na mesa.

Super Caixa e PLR Social

Quanto à remuneração variável, a CEE exige que programas como o Super Caixa sejam negociados previamente, garantindo transparência e o fim de mudanças unilaterais durante o ciclo de apuração. A categoria também reivindica que indicadores externos, como o CSAT, não funcionem como redutores de premiação. Sobre a PLR Social, a demanda é de 6% do lucro líquido, distribuída de forma linear.

Condições de trabalho e saúde

A pauta de condições de trabalho inclui a resolução do limbo previdenciário e o fortalecimento das Gipes. No teletrabalho, a busca é por regras estáveis via ACT, com garantia de ajuda de custo e respeito ao direito à desconexão. A CEE também denuncia a sobrecarga causada pelo modelo “figital” e exige a recomposição do quadro de pessoal, essencial para a função social da Caixa.

Migração de caixas e tesoureiros

Um ponto positivo da sexta rodada foi a suspensão da migração de caixas e tesoureiros. O banco admitiu falhas na condução do processo e se comprometeu a negociar qualquer mudança futura, garantindo que o tema seja tratado dentro de um planejamento mais amplo de carreira.

A necessidade de avanços estruturais

O balanço atual mostra que a negociação gera resultados quando o banco dialoga com as propostas dos trabalhadores. No entanto, questões estruturais como Saúde Caixa, carreira e condições de trabalho seguem como desafios. A CEE reitera que a mobilização é o caminho para garantir um ACT que proteja direitos, valorize o corpo funcional e fortaleça a Caixa como empresa pública.



Fonte: Contraf-CUT

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