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Coronelismo Eletrônico x Ausência de Representatividade Política, “tudo a ver”

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Coronelismo Eletrônico x Ausência de Representatividade Política, “tudo a ver”

Dos atuais 40 parlamentares que controlam diretamente emissoras de radiodifusão, somente 7 tentaram e não conseguiram se reeleger. Não é novidade no Brasil o controle de meios de comunicação de massa por políticos – fenômeno conhecido por “coronelismo eletrônico” em referência aos velhos oligarcas que controlavam o voto a partir do domínio da terra. O que é pouco difundido, por questões óbvias, é que a prática do coronelismo eletrônico é disseminada em todo o país e adotada pela grande maioria dos partidos como PSB, PV, PRB, PDT, PSD, DEM e PR, apesar de o artigo 54 da Constituição proibir que deputados e senadores firmem contrato com concessionárias de serviço público. Suas origens estão no autoritarismo coronelista de décadas passadas e a prática política traz inúmeras semelhanças com seus modelos de concentração de propriedade. Só que, em vez do poder sobre as terras, o controle agora também alcança as ondas do rádio e da TV.
O coronelismo se sustentava, assim, em um sistema político de troca de favores recíprocos, onde o voto é moeda de troca por benefícios pessoais, em detrimento do interesse público e do bem comum, também interpretados como clientelismo e fisiologismo.
O coronelismo midiático provoca o fim da diversidade. É antidemocrático. Estimula as estruturas de oligopólios e as pautas [jornalísticas] em nome de uma elite. É uma censura de mercado, econômica. Num quadro em que um meio de comunicação de massa, que deveria cumprir uma função pública, é controlado por um político, que pode influenciar sua linha editorial, a autonomia e independência deste veículo para exercer o controle sobre o poder público estão totalmente comprometidas. Ao mesmo tempo, o proprietário do veículo passa a ter o poder de filtrar e restringir informações e conteúdos a serem divulgados, na medida de seus interesses e de seus correligionários, numa prática de autopromoção.

Fonte: Carta Capital

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