Ameaças à manutenção da mesa única, às cláusulas de saúde e recusa em discutir saídas para o endividamento da categoria. Esse foi o resumo da postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (21), durante a quarta rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários.
“Hoje tivemos uma negociação muito ruim, que não andou, porque a Fenaban não quis negociar. Iniciou o encontro ameaçando a manutenção da mesa única, com a tentativa de separar os bancos públicos dos privados. Nós não aceitaremos em hipótese alguma”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional. “A mesa única protege tanto os trabalhadores de bancos públicos quanto os dos bancos privados, e é por isso que eles querem promover a divisão da categoria”, completou.
A dirigente destacou que, graças à unidade histórica, a categoria foi capaz de se proteger dos ataques aos direitos nos governos Temer e Bolsonaro. “Anos antes desse período, no governo Fernando Henrique, não existia a mesa única. Naquela época os bancos públicos negociavam em separado, amargando anos de reajustes zero e ataques aos direitos”, relembrou. “No governo Lula conquistamos a mesa única, que foi importante para proteger os bancários nos governos Temer e Bolsonaro, quando as estatais foram atacadas e ocorreram reformas que impactaram todos os trabalhadores”, pontuou Juvandia.
Essa posição de separar a mesa única foi proposta pelo negociador da Fenaban, Adauto Duarte, que foi questionado, inclusive, pelos representantes dos bancos públicos que estavam na mesa.
Na mesa de hoje, a Fenaban também trouxe a devolutiva sobre um programa de juros baixos para os bancários saírem das dívidas, proposto pelo Comando Nacional na mesa anterior.
“Para justificar a negativa a este pedido, a Fenaban apresentou dados que não convenceram ninguém. Nós sabemos que entre os cinco maiores bancos existem taxas diferenciadas e eles poderiam adotar as menores dessas taxas para todos na categoria”, apontou Juvandia Moreira.
“Enfrentar o endividamento também é uma medida de promoção da saúde. A pressão financeira se soma às exigências do ambiente de trabalho, agravando o estresse e ampliando os impactos sobre a saúde física e mental dos bancários”, completou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional.
A única proposta apresentada pela Fenaban para a redução do endividamento foi terminar logo a campanha nacional e adiantar o pagamento da PLR.
“Só que terminar a campanha, depende dos bancos, de apresentarem uma boa proposta”, arrematou Juvandia Moreira.
Sobre a pauta da saúde, o movimento sindical destacou que, em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria, conforme o quadro abaixo.

“A Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada com quase 55 mil trabalhadores, confirma os dados do INSS e a preocupação do comando, em relação a saúde”, destacou Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT.
No levantamento, realizado entre abril e maio deste ano, 40% afirmaram terem utilizado medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes) no último ano.
Na pergunta "quais impactos a cobrança excessiva pelo cumprimento de metas causam à sua saúde?", com possibilidade de múltipla escolha, as principais respostas foram:
- 67% afirmaram preocupação constante com o trabalho;
- 59%, que os impactos são cansaço e fadiga constante;
- 47% apontaram desmotivação, vontade de não ir trabalhar;
- 42% sofrem com crises de ansiedade/pânico;
- 39%, que estão com dificuldades em dormir, mesmo aos finais de semana; e
- 24%, com medo de "estourar" e perder a cabeça.
“Para enfrentar esse cenário, o Comando Nacional dos Bancários quer discutir, entre outros pontos, a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº1), com o mapeando os riscos psicossociais e acesso as informações de saúde na categoria”, destacou Mauro Salles.
A seguir, o resumo das reivindicações da categoria relacionadas à saúde:
1 - Fim das metas abusivas.
2 - Combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico.
3 - Limites à vigilância digital e ao controle por algoritmos.
4 - Serviços médicos que acolham os trabalhadores adoecidos.
5 - Nenhuma perda de remuneração durante o adoecimento.
6 - Prevenção de riscos psicossociais — implementação da NR-1 e da NR-17.
"Existe o reconhecimento da academia e de órgãos oficiais, entre os quais OIT, OMS, Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério Público do Trabalho, do nexo causal entre metas abusivas e adoecimento dos trabalhadores", reforçou Mauro Salles. "Portanto, a responsabilidade pelo adoecimento não pode ser atribuída ao trabalhador, quando os fatores de risco decorrem da forma como o trabalho é organizado", arrematou.
“Após a apresentação dos dados pelo Comando, a Fenaban travou a mesa, criando falsas polêmicas e ameaçando retirar todas as cláusulas de saúde já conquistadas na CCT. Nós, do comando, reiteramos que a pauta da saúde é fundamental. Não vamos concluir a negociação sem discutir esse tema. E a mesa única é o lugar onde esse tema deve se tratado”, destacou Juvandia Moreira.
Após mais um pedido de intervalo, a Fenaban concordou em continuar a negociação de saúde na próxima mesa, agendada para o dia 30 de julho.
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização, em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país.
Fonte: Contraf-CUT