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Ar condicionado nas agências bancárias em tempos de coronavírus

Publicado em Coronavirus
Ar condicionado nas agências bancárias em tempos de coronavírus

Em 18 de abril de 1932 ocorre a primeira greve de bancários da história, que reivindicavam melhorias salariais e melhores condições sanitárias eis que àquela época havia grande incidência de tuberculose. Os funcionários consideraram o resultado da greve uma vitória, entretanto, foi a redução da jornada de trabalho para seis horas confirmada pelo Decreto nº 23.322, de 3 de novembro de 1933 que marcou os anos 1930 como uma das maiores vitórias da categoria.

Passados sete décadas os bancários vivem um momento semelhante e os sindicatos continuam lutando por questões de ordem sanitária, no ambiente de trabalho principalmente em relação a utilização do aparelho de ar condicionado que substituiu a ventilação natural e vem desempenhando um papel importante em nossas vidas, sendo responsável pelo ar que respiramos, dessa forma devemos estar atentos aos padrões de qualidade do ar em ambientes climatizados por questões de saúde e segurança.

Apesar de estudos atuais informarem, não haver evidências de que o Covid-19 possa se espalhar através de sistemas de ar condicionado, conforme afirma o professor Leo Yee Sin, diretor executivo do Centro Nacional de Doenças Infecciosas de Singapura (NCID), em ambientes climatizados com uma alta densidade de pessoas, onde o ar é respirado várias vezes, promovendo um aumento na quantidade de gás carbônico, somado a falta da renovação de ar, propicia sim, a disseminação de vírus e bactérias.

Um estudo, publicado no New England Journal of Medicine , mostra que o vírus pode sobreviver em gotículas por até três horas após ser tossido no ar. Gotas finas entre 1 e 5 micrômetros de tamanho - cerca de 30 vezes menores que a largura de um cabelo humano - podem permanecer no ar por várias horas no ar parado. Uma única tosse pode produzir até 3.000 gotículas. Essas partículas podem pousar em outras pessoas, roupas e superfícies ao seu redor, mas algumas das partículas menores podem permanecer no ar. Isso significa que o vírus que circula em sistemas de ar-condicionado não filtrados só persistirá por algumas horas, principalmente porque as gotículas de aerossol tendem a se depositar em superfícies mais rapidamente, com ar perturbado.

No Brasil a Resolução RE 09, 2003 – ANVISA estabelece os Padrões Referenciais de Qualidade do Ar em Ambientes climatizados de uso público ou coletivo, enquanto a lei nº 13.589/2018 torna obrigatório em locais onde a capacidade térmica dos aparelhos superar os 60.000/Btus, a criação de um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC). A análise da qualidade do ar deve ser realizada semestralmente para avaliar parâmetros de conforto como temperatura, umidade e velocidade do ar, assim como para descobrir o nível de dióxido de carbono e a presença de fungos patogênicos, toxigênicos e de outras substâncias prejudiciais a saúde. Quando os índices excedem os números pré-estabelecidos, o resultado é a aplicação de multas que variam de R$2.000 á R$200 mil reais. A responsabilidade pela fiscalização e aplicação das penalidades é das Vigilâncias Sanitárias dos Municípios, do Estado e a ANVISA.

Embora não exista nenhum recurso de filtro ou sistema de construção que comprovadamente remova o COVID-19 ou qualquer outra doença infecciosa transportada pelo ar, a recomendação vem sendo focar nos procedimentos de manutenção de curto prazo, destacando-se a principais:

  • Substituição dos filtros da unidade de tratamento de ar regularmente e de forma consistente;
  • Substituição de filtros de ar convencionais com um Valor Mínimo de Relatório de Eficiência Mínima (MERV) entre 13 e 15 (F7 a F9) podem reduzir os níveis de núcleos de gotículas. Como regra geral, filtros eficientes têm quedas de pressão mais altas, o que pode aumentar o consumo de energia, embora os avanços na tecnologia signifiquem que isso nem sempre é verdade;
  • O aumento das taxas de ventilação (circulação) pode auxiliar na diluição de contaminantes no ar ambiente e potencialmente reduzir a probabilidade de infecções. Isso também exigirá o aumento da taxa de ar de exaustão do sistema e ajudará a diluir quaisquer contaminantes no ar circulante. Deve-se observar que o aumento das taxas de ar externo e / ou de ventilação geralmente resulta em aumento do uso de energia e, em algumas circunstâncias, pode resultar em dificuldades no sistema em manter as condições internas de temperatura e umidade desejadas.
 

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