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O Brasil vai virar o novo epicentro da pandemia de coronavírus?

Publicado em Coronavirus
O Brasil vai virar o novo epicentro da pandemia de coronavírus?

Celso Granato, infectologista e virologista, diretor clínico do Grupo Fleury:

Não vejo nenhuma razão para isso. Existem vários países com população muito grande e também expostos. Não consigo imaginar por que não seriam a Índia, a Rússia ou os próprios Estados Unidos [epicentro atual]. Não vejo nenhuma chance de o problema no Brasil ser muito maior do que em qualquer outra região do mundo. Mas, para que isso não aconteça por aqui, é muito importante que as pessoas sigam as orientações de saúde pública, continuem no isolamento social no máximo que for possível e lavando as mãos corretamente…

Praticamente todos os países do mundo já estão contaminados. Não vejo por que o Brasil teria um risco maior do que outros locais, especialmente se as pessoas aderirem aos cuidados já divulgados.

Pedro Hallal, epidemiologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (RS):

Sim, o Brasil, ou qualquer outro país, pode ser o próximo centro da pandemia, desde que não tome atitudes preventivas baseadas em evidências científicas. No momento, a obtenção de dados epidemiológicos sobre a infecção na população, a manutenção do distanciamento social e a ampliação da política de testes são iniciativas que podem nos ajudar a evitar que sejamos o próximo epicentro.

Wladimir Queiroz, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (SP) e membro da SBI:

Acredito que depende. Depende de como será a política de isolamento e de como ela vai ser mantida. Se ela for corretamente mantida, existe chance de não sermos o novo epicentro da pandemia. Se isso for quebrado, acho que não vai ter como não ser o novo epicentro.

Gustavo Campana, diretor médico da Dasa:

Minha opinião é que o Brasil não deve virar o epicentro da pandemia e não deve ser o país com o maior número de casos. Especialmente porque algumas medidas foram tomadas de forma bastante precoce, como isolamento social e a detecção dos casos. Foi diferente do que aconteceu na Itália, por exemplo, onde os primeiros casos demoraram a ser detectados. Aqui a Dasa validou o teste de forma pioneira e diagnosticamos muito rápido os primeiros episódios e o isolamento social aconteceu antes. Isso tem um impacto importante para que a gente não seja o epicentro da epidemia.

A forma como a doença entrou no país, garantindo que os primeiros infectados permanecessem em isolamento, também nos favoreceu. Agora o vírus segue contaminando mais pessoas, mas nossas estruturas de saúde estão mais bem preparadas, tiveram tempo… Esses são os dois pontos mais importantes: o isolamento social precoce e a implantação dos testes, apesar de o país ter passado por um “apagão” de exames. Uma medida que ajuda a não virarmos o epicentro é planejarmos a volta do isolamento social de forma progressiva e organizada, para não sobrecarregarmos o sistema de saúde.

REVISTA SAÚDE

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