O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários retoma as tratativas com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta segunda-feira (24). O objetivo é dar continuidade às discussões da Campanha Nacional Unificada da categoria, focada na conquista de aumento real e na melhoria das condições laborais.
Na rodada anterior, ocorrida na terça-feira (18), os representantes sindicais levaram à mesa os resultados das assembleias realizadas em todo o território nacional. Na ocasião, 97% da base rejeitou as propostas da Fenaban que previam reajustes por faixas salariais e o congelamento do piso, enquanto 90% dos trabalhadores aprovaram a paralisação nacional de 24 horas, concretizada na quinta-feira (20).
Ao tomar conhecimento do posicionamento das bases, a Fenaban recuou das propostas de reajustes segmentados e do congelamento do piso de ingresso. Contudo, os representantes dos bancos se recusaram a prosseguir com a mesa de negociação naquele momento, condicionando o diálogo ao cancelamento da paralisação aprovada pelos bancários.
A categoria manteve sua decisão e o dia nacional de paralisação foi realizado conforme o programado: milhares de unidades foram mantidas fechadas durante toda a quinta-feira, gerando ampla repercussão na imprensa nacional.
“Essa ação serviu como um alerta à Fenaban diante da ausência de respostas concretas às reivindicações da categoria, que vêm sendo debatidas desde o início de julho”, afirma Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT. “O êxito das paralisações demonstrou que exigimos respeito e reafirmou a unidade nacional dos bancários, o que fortalece significativamente nossa mobilização nesta campanha”, completa a dirigente.
O próximo encontro está agendado para segunda-feira (24), faltando pouco mais de uma semana para a data-base (1º de setembro), período em que a atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) expira, tornando necessária a assinatura de um novo instrumento normativo.
“Já são oito rodadas sem que os bancos apresentem uma proposta de índice de reajuste salarial, melhorias na PLR, vales refeição e alimentação, no piso e em outras demandas essenciais, como o combate ao adoecimento mental, o fim da gestão por metas abusivas e o enfrentamento às desigualdades salariais e de oportunidades que afetam mulheres, negros e pessoas com deficiência (PCD)”, pontua Juvandia.
O movimento sindical também pressiona por avanços nas mesas específicas do Banco do Brasil e da Caixa para a renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs). "Temos negociações previstas ao longo de toda a semana, tanto entre o Comando Nacional e a Fenaban quanto entre as comissões de empresa e os bancos públicos", finaliza a dirigente.
- O patrimônio líquido do setor bancário alcançou, em 2025, a marca de R$ 1,2 trilhão;
- Entre 2015 e 2025, enquanto os cinco maiores bancos encerraram 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências, elevaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, intensificando a terceirização;
- A remuneração média anual de altos executivos dos três principais bancos privados atingirá R$ 12,5 milhões em 2026, um valor 120 vezes maior que a remuneração anual de um escriturário (considerando salário, 13º, férias, benefícios e PLR);
- Em 2025, as agências físicas processaram 7,2 bilhões de transações, uma média diária de 28,6 milhões de operações em dias úteis;
- O lucro gerado por cada empregado bancário é de R$ 438 mil, evidenciando a alta rentabilidade da categoria;
- No período entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% dos bancários utilizaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes;
- Houve redução nas despesas com pessoal: desde 2016, a folha de pagamento caiu 7% (ou 11%, se excluída a PLR);
- Em 1995, os bancos privados distribuíam até 14% do lucro em PLR; em 2025, esse índice foi, em média, de apenas 5,9%. Nos bancos públicos, a Caixa atingiu o teto de 15% e o Banco do Brasil alcançou 11%.
"Observamos uma reestruturação bancária voltada a maximizar lucros através da terceirização e da precarização do atendimento, reduzindo custos com folha de pagamento e sobrecarregando os funcionários, que operam em equipes reduzidas e sob metas cada vez mais rigorosas", analisa Juvandia Moreira. “Enquanto fecham unidades físicas, os bancos abrem espaço para a concorrência, como as fintechs e correspondentes”, conclui.
Fonte: Contraf-CUT