O Comando Nacional dos Bancários cumpre agenda de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (18). O encontro marca a oitava rodada de tratativas da Campanha Nacional Unificada, que busca garantir aumento real e melhores condições laborais para toda a categoria.
Na reunião anterior, ocorrida na quinta-feira (13), os bancos geraram insatisfação ao não apresentarem qualquer proposta de índice para o reajuste salarial dos trabalhadores.
Durante o debate, que perdurou por quase oito horas, a Fenaban limitou-se a sugerir o congelamento do piso de entrada para novos contratados e a aplicação de reajustes distintos para três faixas salariais. No entanto, os representantes patronais omitiram os critérios dessas faixas e os percentuais que seriam aplicados em cada uma.
Em um momento de tensão, a representação dos bancos chegou a propor uma redução nos valores dos vales-refeição e alimentação para os trabalhadores do interior, restringindo o aumento apenas às grandes capitais. Embora tenha ameaçado recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse aceitação dos seus modelos de reajuste, a Fenaban acabou recuando após um intervalo nas conversas.
Após o encerramento da rodada, o Comando Nacional dos Bancários convocou assembleias em sindicatos por todo o território nacional para esta segunda-feira (17), visando consultar a base sobre a postura dos banqueiros e debater paralisações e atos para o dia 20 de agosto, em defesa da PLR, valorização dos pisos e demais pautas da categoria.
- Aumento real (acima da inflação) nos salários e verbas como PLR e vales alimentação e refeição, além da criação de um piso específico para o setor de TI.
- Melhores condições de trabalho: combate ao assédio algorítmico, fim das metas abusivas e proibição do monitoramento constante que pressiona por produtividade.
- Mais contratações: reforço no quadro de funcionários para aliviar a sobrecarga, diminuir o estresse e agilizar o atendimento ao público.
- Igualdade de oportunidades: democratização do acesso ao trabalho e garantia de paridade salarial e de ascensão profissional para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência (PCD) e público LGBTQIA+.
- Mulheres na tecnologia: ampliação das bolsas de qualificação integrais e reserva de vagas para bancárias na área de TI, visando reduzir a desigualdade de gênero no segmento.
- Em 2025, o patrimônio líquido dos bancos alcançou a marca de R$ 1,2 trilhão.
- Entre 2015 e 2025, o setor fechou 88 mil postos e 9,5 mil agências, enquanto os cinco maiores bancos elevaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando funções.
- A remuneração anual média dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes maior que a remuneração de um escriturário (considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR).
- O ano de 2025 registrou 7,2 bilhões de transações em agências físicas, média de 28,6 milhões por dia útil.
- O lucro por empregado atinge R$ 438 mil, evidenciando a alta produtividade da categoria.
- Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% dos bancários utilizaram medicamentos controlados, como antidepressivos ou ansiolíticos.
- Defasagem nos Vales: O VA acumula perda de 13% (2019-2025) e o VR de 3,7% (2023-2025). Para recuperar o poder de compra de 2019, o VA precisaria subir para R$ 1.293,73.
- Corte de custos: Desde 2016, a folha de pagamento dos bancos encolheu 7% (ou 11%, se excluída a PLR).
- PLR em queda: Em 1995, a distribuição de PLR nos bancos privados chegava a 14%; em 2025, a média foi de apenas 5,9%.
24 de junho | Entrega da Pauta: O Comando Nacional entregou a minuta à Fenaban, iniciando as mesas específicas.
02 de julho | 1ª Rodada: Debate sobre cláusulas sociais, PCDs, jornada 4x3 e direito à desconexão.
07 de julho | 2ª Rodada: Foco em emprego, tecnologia, regulação de IA e fechamento de unidades.
16 de julho | 3ª Rodada: Discussão sobre igualdade de oportunidades e combate a discriminações.
21 de julho | 4ª Rodada: Saúde e condições de trabalho, com foco em metas abusivas e riscos psicossociais.
30 de julho | 5ª Rodada: Apresentação de dados de lucratividade e exigência de aumento real.
13 de agosto | 7ª Rodada: Fenaban frustra a categoria ao propor congelamento de piso e divisões de reajuste sem transparência.
Fonte: Contraf-CUT