A mais recente rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários, realizada nesta segunda-feira (24), teve início com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) adotando uma postura crítica em relação à paralisação nacional da categoria, ocorrida no dia 20 de agosto, e à própria organização sindical.
Além de não colocar na mesa qualquer proposta referente às cláusulas econômicas, a Fenaban tentou barrar judicialmente a paralisação nacional. Contudo, o pedido de liminar foi indeferido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10). Vale lembrar que, na reunião anterior, em 18 de agosto, os bancos já haviam tentado impedir o movimento, condicionando a continuidade das negociações à desistência da greve, que havia sido aprovada por 90% da categoria em assembleias.
“Foi exatamente pela falta de proposta e pelo adiamento das negociações econômicas que a paralisação aconteceu, com boa adesão em todo o país. Os bancos tiveram tempo suficiente para construir uma proposta, mas foram adiando essa discussão. A mobilização dos trabalhadores é consequência da postura da Fenaban”, declarou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional.
A dirigente ressaltou que, pela primeira vez no histórico das campanhas salariais, a Fenaban buscou o Judiciário para tentar suspender atividades de mobilização e paralisação dos bancários. Os representantes dos bancos chegaram a questionar a realização de uma paralisação de 24 horas durante o período de negociação.
“Essa alegação não procede; basta uma rápida pesquisa para constatar que as paralisações são recorrentes no movimento sindical bancário. Além disso, as atividades deste 20 de agosto não se tratavam de greves, mas sim de ações de diálogo e mobilização com os trabalhadores em todo o Brasil. Se entraram com uma ação para tentar impedir a paralisação, é porque ela teve impacto”, avaliou Juvandia.
O Comando Nacional salientou que, em comparação aos anos anteriores, a Fenaban apresenta um atraso significativo na oferta de reajustes. Enquanto em 2018 a proposta inicial veio em 7 de agosto, em 2020 no dia 18, e em 2022 no dia 19, em 2024 o calendário já ultrapassou o dia 21 de agosto.
“Estamos no dia 24 de agosto, a exatos sete dias do vencimento da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), sem a apresentação de qualquer índice que impacte as cláusulas econômicas, como o reajuste salarial e melhorias em verbas como PLR, vales-refeição e alimentação, além do piso”, detalhou Juvandia.
Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional, reforçou que a categoria exige valorização. “Isso significa trazer para a mesa de negociação uma proposta para as cláusulas econômicas, com o índice de reajuste para salários e demais verbas. Não vamos ficar debatendo outros temas enquanto isso não ocorrer”, afirmou.
O Comando Nacional também destacou que as mesas específicas por banco (como Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e BNB) estão sendo prejudicadas pela lentidão da Fenaban em apresentar propostas concretas para as questões econômicas e gerais.
“A mesa geral precisa avançar para que as mesas específicas também possam progredir. Não podemos permitir que tudo fique estagnado. Os trabalhadores possuem reivindicações importantes, e a Campanha Nacional precisa evoluir em todas as frentes. O caminho é a negociação, com propostas concretas e disposição dos bancos em valorizar os trabalhadores”, concluiu Juvandia.
As tratativas entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban serão retomadas nesta terça-feira (25). “A categoria se manterá mobilizada nas redes e nas ruas, e o Comando Nacional segue à disposição das negociações durante toda a semana”, finalizou Juvandia Moreira.
Fonte: Contraf-CUT