Nesta quarta-feira, 13 de maio, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, com a direção do banco para discutir novamente os impactos do fechamento acelerado de agências e o aumento da sobrecarga enfrentada pelos bancários.
Claudio Merçon (Cacau), representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) na Comissão, participou da reunião.
“Foi uma reunião importante. Até porque, ficamos um bom tempo sem nos reunirmos com os representantes dos bancos. Havia uma demanda reprimida, com diversos assuntos importante a serem debatidos. Mas, infelizmente, as notícias não são boas. Muitas demissões e fechamentos de agências e reestruturação como exemplo. Seguiremos cobrando e firmes na luta para que sejam solucionados os problemas da categoria”, declarou Cacau.
Logo na abertura, os representantes dos trabalhadores afirmaram que a rede física já opera no limite e não comporta novos cortes. Relatos apresentados indicam que regiões antes atendidas por várias unidades passaram a contar com apenas uma agência, concentrando milhares de clientes, ampliando filas e elevando a pressão sobre os empregados.
As demonstrações financeiras do próprio banco indicam o encerramento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025 (-26%). No primeiro trimestre de 2026, foram fechadas 63 unidades.
Desde 2019, o Santander encerrou 2018 postos de atendimento, sendo 1460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs, segundo dados do banco.
Para a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, há uma contradição na estratégia do banco. “O Santander diz que acredita nas agências físicas, mas afirma que poderá fechá-las sempre que considerar necessário”, criticou.
Os sindicatos alertaram ainda para uma mudança estrutural no sistema financeiro: entre 2016 e 2025, o país perdeu 7593 agências bancárias (-34%), enquanto cooperativas de crédito ampliaram presença ao ocupar espaços deixados pelos grandes bancos. “Isso mostra que os clientes ainda querem atendimento presencial”, completou Rita.
Na avaliação da COE, a estratégia aprofunda a exclusão financeira em regiões onde o acesso digital ainda é limitado e intensifica a pressão psicológica sobre os bancários.
A representação dos trabalhadores cobrou a revisão da política de fechamento de unidades, a recomposição do quadro funcional e melhores condições de atendimento à população.
O modelo de gestão também foi alvo de críticas. Dirigentes sindicais cobraram transparência sobre o Programa Conduta Certa. O banco informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20.
Segundo a representação dos empregados, mudanças vêm sendo implementadas sem diálogo prévio, deixando trabalhadores expostos a avaliações consideradas punitivas.
O uso do NPS também foi questionado, já que o indicador pode impactar diretamente a remuneração variável. Os sindicatos reivindicaram que o índice não seja utilizado para esse fim.
Outro ponto discutido foi o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes”, com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior.
“Insistimos para que esses acordos sejam anulados e não voltem a existir, pois contrariam o que foi pactuado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, que prevê a não utilização da lei que permite acordos individuais. Hoje o banco descumpre esse compromisso e, no futuro, qual outro deixará de cumprir? Isso gera muita insegurança para todos os trabalhadores”, alertou Rita Berlofa.
Ana Marta Lima reforçou a orientação da COE. “Os trabalhadores não devem assinar o termo e devem denunciar ao sindicato qualquer tipo de pressão. O documento pode abrir precedentes perigosos para a retirada de direitos”, afirmou.
O banco se comprometeu a suspender a aplicação desses acordos até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.

*com informações da Contraf-CUT
Fonte: Fetraf-RJ/ES