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Banqueiros propõem reajuste de 62% da inflação, um dos piores de 2026

Publicado em Bradesco
Banqueiros propõem reajuste de 62% da inflação, um dos piores de 2026

Pela primeira vez após 10 rodadas de debate focadas em aumento real e melhores condições laborais, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou, nesta terça-feira (25), duas propostas de reajuste. Ambas foram prontamente rejeitadas pelo Comando Nacional dos Bancários, visto que implicam em perda de poder aquisitivo e retrocesso em direitos assegurados pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

A primeira oferta consistiu em um reajuste de 2,06% (equivalente a 50% da inflação), enquanto a segunda foi de 2,57% (62% da inflação). Tais índices representam perdas reais na remuneração da categoria — ficando abaixo da inflação — de 1,99% e 1,50%, respectivamente.

A primeira proposta da Fenaban

Além do índice insuficiente, a primeira oferta da Fenaban incluía retrocessos graves:

- Extinção da indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto e do auxílio-funeral;
- Eliminação da multa por descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT);
- Congelamento da PLR e do piso salarial de ingresso;
- Supressão da verba de requalificação;
- Corte da gratificação de compensador de cheque;
- E exclusão da ajuda de custo para deslocamento noturno.

Após a rejeição do Comando Nacional, a mesa de negociação foi suspensa. Ao retornar, a Fenaban manteve o índice de 2,57% para os salários e apresentou os seguintes pontos:

- Congelamento da PLR e do piso de ingresso;
- Reajuste de 2,57% no auxílio-creche/babá, auxílio para pais de filhos com PcD e ajuda de custo para o teletrabalho;
- Fim da gratificação de compensador de cheque;
- E o corte da ajuda de deslocamento noturno.

Em contrapartida, a Fenaban recuou quanto à exclusão da verba de requalificação profissional (mantendo o reajuste de 2,57%) e desistiu da retirada da multa por descumprimento da CCT.

Críticas à postura dos bancos

“Os bancos são generosos com os altos executivos, têm lucros elevadíssimos e ainda assim agem com mesquinhez e desrespeito para com a categoria bancária, com índice abaixo da inflação”, afirmou Juvandia Moreira. “Esta última proposta de 2,57% está entre os 0,46% piores reajustes de 2026. Ou seja, 99,54% das negociações salariais firmadas até agora garantiram ganhos superiores a essa proposta da Fenaban, que custaria apenas 0,9% do lucro do setor, que atingiu R$ 182 bilhões em 2025. Sem aumento real, não há como avançar nesta Campanha Salarial!”, completou.

Enquanto se nega a oferecer uma proposta digna aos funcionários, os três maiores bancos privados já asseguraram para 2026 uma remuneração média de R$ 12,5 milhões para seus altos executivos — um aumento superior a R$ 1 milhão em comparação a 2025.

Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional, enfatizou que a Fenaban deveria se envergonhar de propostas que não repõem a inflação. “Estamos tratando de um setor que gera um lucro inigualável no mercado”, destacou. “As instituições precisam rever esses números, considerando que o aumento real é a prioridade máxima da categoria, apontada por 93% dos participantes da Consulta Nacional dos Bancários 2026 — que ouviu mais de 54 mil pessoas —, seguida pelo incremento na PLR (63%) e no VA/VR (51%)”, reforçou a dirigente.

Após o Comando Nacional reafirmar a indignação da categoria diante da postura patronal, a rodada foi encerrada. As negociações serão retomadas nesta quarta-feira (26).

Requalificação e recolocação

Durante o encontro, também foi discutida a exigência do Comando Nacional por medidas que encareçam as demissões. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o sistema financeiro contabilizou mais de 37.500 desligamentos.

Diante desse cenário e da mobilização da categoria, a reunião resultou no início da construção conjunta de um programa voltado à requalificação e recolocação profissional dos bancários desligados.

Mobilização

A categoria permanece mobilizada, com ações nas ruas e engajamento nas redes sociais. A orientação é que todos utilizem a hashtag #QueremosPropostaDecente.

Homenagem a Wander Castro

A sessão foi aberta com um minuto de silêncio, solicitado pelo Comando Nacional, em memória de Wander Castro, diretor regional do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, que faleceu nesta terça-feira (25).



Fonte: Contraf-CUT

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