
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retornou à mesa de negociações nesta quarta-feira (26) mantendo uma proposta insuficiente de reajuste para a categoria, após mais de 9 horas de diálogo. O Comando Nacional rejeitou os termos apresentados, e as tratativas serão retomadas nesta quinta-feira (27), a partir das 10h.
"O que exigimos é aumento real, com base no INPC, nos salários, nas demais verbas e maior distribuição da PLR. Isso é o básico!", afirmou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários, após a 11ª rodada de conversas realizada hoje.
A Fenaban insistiu no mesmo modelo de reajuste já apresentado anteriormente: 2,57% para salários, demais remunerações e auxílios. Além disso, os representantes dos bancos propuseram:
• PLR: Reajuste de 2,57% apenas no teto da regra básica. Esse índice afetaria positivamente apenas a PLR de 8% da categoria (beneficiando um grupo restrito de cerca de 35 mil pessoas). O Comando Nacional reivindica alterações em toda a regra básica da PLR, incluindo reajustes nos tetos, nas parcelas fixas e um incremento na PLR Adicional.
• Vale-alimentação: Reajuste pela inflação da “alimentação em domicílio”, calculada pelo IPCA (atualmente em 2,57%, com projeção de 2,99% para a data-base em 1º de setembro). Esse patamar representaria uma perda de 1,1% em relação ao INPC do período.
• Vale-refeição: Reajuste atrelado à inflação da “refeição fora do domicílio”, medida pelo IPCA, que está em 4,5%.
O Comando Nacional contestou a oferta. “Na rodada anterior, eles haviam congelado a PLR. Desta vez, sugeriram reajustar apenas o teto da regra básica, o que mantém o prejuízo para a maioria dos trabalhadores, sem qualquer ganho real. Exigimos melhorias na parcela adicional para valorizar a PLR de todo o funcionalismo”, reforçou Juvandia.
O Comando ressaltou que, de 10.126 acordos coletivos firmados este ano, 87,1% garantiram ganho real. Enquanto isso, o setor mais lucrativo do país oferece um reajuste que representa menos de 1% do lucro de R$ 182 bilhões obtido em 2025. “Considerando a projeção de crescimento dos lucros bancários para 2026, essa proposta é irrisória para os cofres dos bancos”, analisou a coordenadora.
“O salário da categoria sofreu perda de poder de compra nos últimos 12 meses. O valor do VA e do VR, que já havia sido corroído durante o governo Bolsonaro, segue sem a devida recomposição. Além disso, o percentual de lucro destinado à PLR encolhe a cada ano. Não aceitaremos uma proposta sem aumento real para salários e demais verbas, nem sem a valorização da PLR, do VR e do VA”, pontuou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional. “Estamos aqui na defesa dos direitos dos trabalhadores e não permitiremos retrocessos”, completou.
Curiosamente, enquanto negam ganhos aos bancários, os bancos anunciaram na Febraban Tech investimentos de R$ 50,4 bilhões em tecnologia até o fim de 2026. Paralelamente, já foi aprovada para 2026 uma remuneração média anual de R$ 12,5 milhões para altos executivos — um aumento superior a R$ 1 milhão em comparação a 2025.
Os dados apresentados pelo Comando Nacional ao longo das oito mesas de negociação evidenciam que o setor possui plena capacidade financeira para atender às reivindicações:
• Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos grandes bancos cresceu 178% acima da inflação;
• No período pós-pandemia (2020-2025), a variação real do lucro bancário foi expressiva: 61% nos bancos privados, 10% nos públicos e 1.580% nos digitais;
• O setor bancário atingiu um lucro de R$ 182,4 bilhões em 2025 (dados do IFData);
• Apenas os cinco maiores bancos somaram R$ 124 bilhões de lucro em 2025;
• A rentabilidade média do setor, desde 2003, mantém-se muito acima da inflação, superando em três vezes o IPCA mesmo após a pandemia;
• O Brasil possui uma das maiores taxas de juros reais do mundo, o que deve ser considerado em qualquer análise de rentabilidade;
• Mesmo com a Selic elevada (média de 14,33% em 2025), o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) médio dos bancos continua superando a taxa, mantendo-se 1,2 vezes acima desde 2022;
• O Patrimônio Líquido do setor bancário (cerca de R$ 1,2 trilhão) é 25 vezes maior do que o dos dois setores mais rentáveis na sequência.
As rodadas de negociação específicas por banco, como as do Banco do Brasil e da Caixa, serão retomadas logo após a conclusão das definições na mesa única com a Fenaban.
Fonte: Contraf-CUT