O movimento sindical, representado pelo Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários, e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retomam nesta quinta-feira (13) as negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
Na última rodada, 4 de agosto, os bancos se comprometeram a trazer uma proposta geral às reivindicações da categoria neste próximo encontro.
Entre as exigências dos trabalhadores estão o fim das demissões em massa e do fechamento de agências; valorização dos trabalhadores por meio do aumento real nas remunerações (como salário, PLR, vales refeição e alimentação); e o combate ao alto índice de adoecimento mental, provocado pela gestão por metas abusivas, que, além de pressionar e sobrecarregar os trabalhadores, funciona como uma porta de entrada para o assédio moral.
A categoria também quer o fortalecimento de ações por igualdade de oportunidades, para que o setor elimine distorções que impedem mulheres, negros e negras, pessoas com deficiência (PCD) e LGBTQIA+ de terem as mesmas condições de remuneração e ascensão dentro dos bancos.
Desde o início das negociações, iniciadas oficialmente em 24 de agosto, com a entrega da pauta da categoria, a Fenaban vem apresentando postura de resistência às reivindicações.
“Na reunião dessa quinta (13), os bancos terão a oportunidade de mudar essa postura, sobretudo após seis rodadas e que provamos, com base em dados técnicos e no cenário econômico e social, que o setor tem condições de apresentar propostas de aumento real, melhorias na PLR e no VA/VR, promoção da saúde dos bancários, melhorias no combate ao assédio moral, sexual e outras medidas sociais, como o fortalecimento de mulheres no setor e o fim das distorções que condenam bancárias, negros e negras e outros grupos a salários desiguais e dificuldades de ascensão na carreira", explica a coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira.
A dirigente destaca ainda que as respostas que a Fenaban dará, nesta próxima mesa, definirão os próximos passos da categoria na defesa dos direitos e das reivindicações por aumento real e melhores condições de trabalho. “A modernização do sistema financeiro jamais será modernização se significar desemprego, fechamento de agências e precarização do trabalho, resultando em adoecimento mental de vidas, muitas delas, chefes de famílias”, pontua Juvandia Moreira.
A digitalização e o aumento da concorrência com outras empresas não bancárias, mas que passaram a prestar os mesmos serviços que os bancos tradicionais, são os principais argumentos que a Fenaban tem defendido para justificar o fechamento de agências, postos de trabalho e a dificuldade em reconhecer a categoria com a valorização nos salários e demais verbas.
Porém, todos eles foram rebatidos pelo Comando Nacional a partir dos seguintes dados:
- Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, número que corresponde a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil.
- 26% dos idosos não tinham acesso à internet, em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE - percentual que exige a manutenção de postos físicos de atendimento.
- Enquanto o setor bancário fechava 88 mil postos e 9,5 mil agências, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando seus serviços.
- No mesmo período de dez anos os postos de atendimento nas cooperativas de crédito, que são, segundo os próprios bancos, suas principais concorrentes, aumentaram em 102%.
"O que estamos assistindo é uma reconfiguração sim, dos bancos, mas para ampliarem ainda mais seus lucros às custas da terceirização e queda do atendimento aos clientes, com a economia da folha de pagamento e sobrecarga dos trabalhadores mantidos em equipes pequenas e que continuam submetidas a metas cada vez mais exigentes", explica Juvandia Moreira, que também é presidenta da Contraf-CUT. “E, enquanto os bancos fecham agências físicas e postos de trabalho, abrem espaço para a concorrência, como os correspondentes bancários e instituições de pagamento (fintechs)”, completa.
A categoria destaca ainda que:
- Em 2025, juntos, os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões.
- Considerando todo o setor, o lucro líquido registrado foi de R$ 171 bilhões.
- O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, no ano passado, o montante de R$ 1,2 trilhão.
- Quase 60% de todo o patrimônio de um grupo de 164 bancos analisados estavam concentrados em instituições, que obtiveram rentabilidade entre 10% e 30% ao ano - considerados resultados excepcionais para a conjuntura.
- Embora 17% dos bancos (cerca de 28 instituições) tenham registrado resultado negativo (prejuízo), eles representam apenas 1% do dinheiro total do setor.
Nesta quarta-feira (11), a categoria realizou, em agências e departamentos bancários de diversas cidades do país, mais um dia nacional de luta, com bate-papo e entrega de panfletos para trabalhadores e clientes.
As atividades têm como objetivo manter o fortalecimento da Campanha Nacional Unificada 2026 nas bases. Veja aqui as fotos do dia.
Fonte: Contraf-CUT